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5 Livros que contam como é trabalhar em organizações internacionais

Como alguém prepara uma mala para viver em uma base militar em um país em guerra? E manter o bom humor chegando lá? Como você faria? Você seria capaz de manter o sangue frio negociando com alguém acusado de genocídio? E trabalhando na evacuação de milhares de refugiados em uma zona de conflito?

O desafiador trabalho em organizações internacionais pode ser bem diverso – de mesas de reunião em Nova York a campos de refugiados na África Central.

Pensando nisso, o pessoal do Carreiras Globais selecionou seus livros preferidos sobre o trabalho em organizações internacionais e aqui está a lista dos que mais gostamos! Eles são ideais para quem está cogitando uma carreira global em uma organização internacional ou, quem sabe, a vida humanitária em uma grande organização não-governamental.

Essa lista é para todos os gostos: para quem busca inspiração, conhecimento ou uma pitada de bom humor para esses dias. O critério comum nos livros selecionados é que eles mostram, em primeira pessoa, como é a vida profissional e pessoal de quem decide optar por uma carreira assim.

Buscamos livros em português, mas alguns não estão disponíveis na nossa língua. Aliás, essa foi uma das nossas motivações para criar este espaço: criar conteúdo em português e incentivar mais e mais brasileirxs a se informar, entender e buscar a sua carreira em organizações internacionais.

Escolha o seu título e não deixe de nos contar o que você achou.

Boa leitura!

1. O Homem que Queria Salvar o Mundo, Samantha Power

Uma unanimidade entre nós, esse livro conta a história do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, um dos maiores negociadores que já existiu nas Nações Unidas. O livro repassa as distintas missões pelo mundo do Sérgio, com tarefas nada fáceis: repatriar refugiados no Camboja com o Khmer Rouge à espreita, negociar com contrabandistas o envio de cobertores para o Kosovo, liderar o processo de construção democrática do Timor Leste… até chegar no Iraque. Sérgio é um modelo até hoje para nós que seguimos no sistema ONU, por sua capacidade de negociação, seu idealismo pragmático e sua absoluta convicção na dignidade humana e nos valores da Carta das Nações Unidas.

Sobre a autora: Talvez o nome dela soe familiar para alguns de vocês, não é mesmo? Não é à toa. Samantha Power foi a Embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas durante o segundo mandato do Presidente Obama. Uma idealista, a atual Professora de Harvard é vencedora de um Pulitzer pelo seu livro sobre a história do genocídio (chamado A Problem from Hell, que estamos lendo por aqui e lhes contaremos mais assim que terminarmos!)

Para quem: se pergunta como fazer a diferença no mundo, quer se inspirar sem perder de vista a complexidade do mundo, quer entender os conflitos das décadas de 80 e 90 mais a fundo.

Achou interessante? Segue um trecho:

“Sérgio Vieira de Mello passou mais de três décadas tentando salvar e melhorar vidas – vidas que ainda continuam com um futuro incerto. À medida que rufam os tambores de guerra e que as fissuras culturais e religiosas se abrem em fossos profundos, este é o momento ideal para buscar orientação com um homem cuja longa jornada sob o fogo cruzado ajuda a revelar as raízes dos nossos problemas atuais – e talvez as soluções para elas.”

2. Intervenções – Uma vida de guerra e paz, de Kofi Annan

O autor dispensa apresentações. O primeiro Secretário-Geral que foi formado dentro do sistema ONU, onde trabalhou por quarenta anos, Kofi Annan enfrentou algumas das situações mais dramáticas do século XX, como o massacre de Sreberenica, o genocídio de Ruanda, a explosão do HIV. O livro arrebatou a crítica pela honestidade sagaz do Secretário Geral enquanto ele reflete sobre o papel e protagonismo das Nações Unidas no mundo – o que se fez, o que e como se poderia ter feito e sobre a coragem para mudar o sistema.

Sobre o autor: Kofi Annan serviu como Secretário Geral das Nações Unidas por dois mandatos consecutivos, entre 1997 e 2006.

Para quem: quer entender como funcionam as negociações políticas internacionais; quer saber mais sobre os conflitos das últimas décadas e a atuação da ONU e dos grandes poderes; quer ser o primeiro, ou primeira (já é hora!) Secretária Geral brasileirx das Nações Unidas.

Achou interessante? Segue um trecho:

“Enquanto fui secretário-geral, procurei compatibilizar a autoridade exclusiva das Nações Unidas, como única e legítima organização de Estados, com o princípio segundo o qual os direitos devem ser defendidos; o sofrimento, aliviado; e as vidas, salvas. Num século XXI cada vez mais fragmentado, habitado por um número crescente de atores públicos e privados, não bastam reivindicações abstratas de legitimidade. Afinal, de que serviria a legitimidade exclusiva das Nações Unidas para os homens e meninos de Srebrenica, ou para os ruandeses, em suas horas de desespero?”

3. Expat Etiquette: How to Look Good in Bad Places (Etiqueta de Expat: Como manter uma boa aparência em lugares ruins), Michael Bear & Liz Good

Às vezes, o humor é um ótimo aliado da verdade. Sabendo disso, de maneira descontraída – e divertidíssima – Michael e Liz fazem listas e guias para o trabalhador humanitário no terreno. É uma leitura leve, mas que também apresenta com maestria os desafios, problemas e diversões da vida humanitária. Eles recontam suas desventuras em distintos países, com pilotos não tão confiáveis no Sudão do Sul, emergências estomacais em Dubai e muito drama em aeroportos curiosos.

O livro, que nasceu de um blog, não está disponível em português. Mas é uma ótima leitura tanto para quem é fluente como para quem quer treinar o idioma, porque utiliza uma linguagem acessível, com várias listas que são fáceis de entender.

Para quem: adora as propagandas dos Médicos Sem Fronteiras e da Cruz Vermelha; tem interesse em conhecer o cotidiano da vida humanitária; quer saber quantas vezes uma pessoa pode pegar malária durante a vida.

Sobre os autores: Michael e Liz são dois humanitários que atravessaram o mundo em missões humanitárias.

Achou interessante? Segue um trecho:

“Dar-se conta de que você está no meio de um tiroteio ou de um campo minado pode causar um pouquinho de angústia. Também pode fazer que você questione várias de suas escolhas de vida, especialmente porque a maioria de seus colegas de escola e faculdade está em casa, abrigada com segurança em seus cubículos e escritórios, bebendo café e verificando e-mails. Obviamente, essa visão dos cubículos pode ser a razão exata pela qual você escolheu viver em zonas de conflito. Morrer, no entanto, tende a ter um efeito prejudicial no seu senso de superioridade moral.”

4. Shake Hands with the Devil, de Roméo Dallaire

Esse livro é de arrepiar, e foi indicado para a nossa colega do Carreiras Globais pelo diretor da seção italiana da Anistia Internacional. Ele reconta a história do genocídio da Ruanda através de um de seus personagens emblemáticos, Romeo Dallaire, o comandante das forças de paz no país. A história evidencia os limites, problemas e desafios das Forças de Paz e das Missões da ONU, assim como a necessidade de ação pela comunidade internacional para evitar genocídios.

Sobre o autor: Roméo Dallaire, canadense, foi o comandante das Forças de Paz das Nações Unidas na Ruanda durante o genocídio. Ficou conhecido pela coragem e idealismo com o qual desempenhou sua função. Após o genocídio, iniciou uma ONG contra o uso de crianças-soldado, a Child Soldiers (www.childsoldiers.org)

Para quem: quer entender as limitações e desafios das missões de paz da ONU; tem interesse em direitos humanos e prevenção ao genocídio; para aqueles de estômago forte.

Achou interessante? Segue um trecho da apresentação do livro:

“A seguir, minha história do que aconteceu em Ruanda em 1994. É uma história de traição, fracasso, ingenuidade, indiferença, ódio, genocídio, guerra, desumanidade e maldade. Embora relacionamentos fortes tenham sido construídos e comportamento moral, ético e corajoso fosse frequentemente exibido, eles foram ofuscados por um dos genocídios mais rápidos, mais eficientes e mais evidentes da história recente. Em apenas cem dias, mais de 800.000 homens, mulheres e crianças inocentes de Ruanda foram brutalmente assassinados, enquanto o mundo desenvolvido, impassível e aparentemente imperturbável, sentou-se e assistiu ao apocalipse que se desenrolava ou simplesmente mudou de canal.”

5. The Education of an Idealist, de Samantha Power

Samantha Power, a autora do primeiro livro, lançou recentemente a sua biografia. Nela, retoma seus dias como jornalista nos Balcãs, assim como seu engajamento no governo Obama e, então, como a Embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas no segundo mandato do Presidente.

Samantha deixou uma marca indelével nos seus anos como agente de política externa nos Estados Unidos, centralizando esforços no combate contra o ebola, negociando a liberdade de mulheres ativistas prisioneiras na China e tentando impedir o genocídio contra os Rohingya no Myanmar. Além dessa trajetória que expõe várias maneiras criativas de discutir com embaixadoras, de gerar impacto global com um tweet, o fato da Samantha ser mulher em uma carreira predominantemente masculina também traz ponderações interessantes.

Além disso, ela retrata várias saias justas, como estar discutindo com Obama e Aung San Suu Kyi durante o período de amamentação, estar no Conselho de Segurança com os filhos no colo e, muitas vezes, não estar com eles pelo trabalho.

Para quem: entender melhor sobre o papel e alcance da política externa estadunidense; quer ter uma perspectiva feminina do salão oval; quer saber como avançar campanhas globais; quer ler sobre como conversar com embaixadores do mundo inteiro e como conciliar idealismo com a política do mundo real.

“”Escute”, ele disse com firmeza. “Se você não ouvir mais nada, ouça isso. Você trabalha na Casa Branca. Não há outra sala como essa, em que um monte de pessoas realmente inteligentes, com bom senso, se reúnam e decidam o que fazer. Será o momento mais assustador da sua vida quando você internalizar completamente isso: não há outra reunião. Você está na reunião. Você é a reunião. Se você tiver uma preocupação, levante-a.”

Siga nosso perfil no instagram @carreirasglobais para não perder nenhuma oportunidade e, em caso de qualquer dúvida, deixa um comentário!

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